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Segmentos27 de maio de 2025· 7 min

Manutenção preventiva por horímetro: como montar o plano

Quando programar por horas de uso e quando por data, como calcular o próximo vencimento, MTBF e MTTR com um exemplo resolvido e o custo de manutenção por equipamento.

Na alta temporada, uma pá carregadeira trabalha dois turnos por dia. A troca de óleo e filtros estava programada “a cada três meses”, o que numa temporada normal equivalia a umas 250 horas. Desta vez, aos três meses ela já somava quase 500 horas. O filtro entupiu, a bomba hidráulica sofreu e o equipamento ficou parado uma semana, justo quando mais se precisava dele. O plano existia; o problema é que media o tempo com o relógio errado.

Este artigo explica como montar um plano preventivo baseado no uso real do equipamento, como calcular quando vence cada tarefa e quais indicadores olhar para saber se o plano funciona. Tudo pode ser feito numa planilha.

Por uso ou por calendário: quando convém cada um

O desgaste de um motor, de um material rodante ou de um sistema hidráulico depende de quanto ele trabalha, não de quantos dias passam. Mas há coisas que se degradam com o tempo mesmo com o equipamento parado: baterias, mangueiras, lubrificantes armazenados, extintores, inspeções técnicas.

Gatilho Quando usar Exemplos
Por uso (horas ou quilômetros) O desgaste depende da operação e o uso varia muito de um mês para outro Óleo do motor, filtros, rolamentos, lâminas, pneus
Por calendário O componente envelhece mesmo sem uso, ou há uma inspeção com data fixa Baterias, mangueiras, inspeções de segurança, revisões documentais
O que ocorrer primeiro O equipamento pode passar temporadas parado e temporadas a todo vapor Revisão de 250 h ou 3 meses, o que chegar antes

A regra prática: se o uso de um equipamento muda mais de 30% entre temporadas, só o calendário não basta. Use o horímetro e deixe a data como reserva para quando o equipamento trabalha pouco.

Passo a passo para montar o plano

  1. Faça a lista de equipamentos e sua criticidade. Alta se a parada interrompe a operação, média se há substituto, baixa se não afeta. Comece o plano pelos críticos.
  2. Desça aos componentes. Motor, transmissão, hidráulico, material rodante. Tarefas e custos ficam mais claros por componente do que pelo equipamento inteiro.
  3. Defina tarefas e intervalos. Parta do manual do fabricante e ajuste com seu histórico: poeira, altitude, carga e qualidade do combustível mudam o desgaste.
  4. Escolha o gatilho de cada tarefa: horas, data ou o que ocorrer primeiro.
  5. Fixe uma tolerância. Por exemplo, ±10% do intervalo. Fora dessa janela, a tarefa conta como atrasada.
  6. Monte o kit de peças de cada tarefa. Filtros, óleo, juntas. Se o kit não estiver no almoxarifado quando a tarefa vencer, o plano cai.
  7. Defina quem faz as leituras e com que frequência. Sem leituras confiáveis não há plano por horímetro.
  8. Revise o plano a cada trimestre com os indicadores abaixo.

Como calcular o próximo vencimento

A fórmula básica é:

Próximo vencimento = leitura em que a tarefa deveria ser feita + intervalo

Repare no detalhe: soma-se a partir da leitura em que deveria ser feita, não da leitura em que foi feita. Suponha uma revisão a cada 250 h que vencia às 5.000 h e foi feita às 5.040 h. A próxima vence às 5.250 h, não às 5.290 h. Se você somar a partir da execução real, cada atraso se acumula e o plano vai se deslocando sem que ninguém perceba.

Para saber quando cai no calendário:

Dias restantes = (próximo vencimento − leitura atual) ÷ horas de uso por dia

Se o equipamento marca 5.130 h e trabalha em média 16 h por dia, faltam (5.250 − 5.130) ÷ 16 = 7,5 dias. Com esse dado você pode pedir o kit de peças a tempo e combinar a parada com a operação.

As leituras: a parte que costuma falhar

Um plano por horímetro vale o que valem suas leituras. Três regras simples:

  • Uma leitura nunca diminui. Se alguém anota 4.980 depois de 5.130, é erro de digitação. A única exceção é a troca do horímetro, e ela deve ficar registrada como tal, com a leitura final do antigo e a inicial do novo.
  • Frequência fixa. Diária para equipamentos críticos, semanal para o resto.
  • Um responsável por equipamento. O operador anota e o supervisor confere.

MTBF e MTTR com um exemplo

Dois indicadores dizem se a preventiva está funcionando:

  • MTBF (tempo médio entre falhas) = tempo operacional ÷ número de falhas. Quanto maior, melhor.
  • MTTR (tempo médio de reparo) = tempo total de reparo ÷ número de falhas. Quanto menor, melhor.
  • Disponibilidade = MTBF ÷ (MTBF + MTTR).

Suponha um caminhão que num trimestre tinha 1.500 horas planejadas de operação. Teve 5 falhas não programadas e somou 40 horas de reparo.

  • Tempo operacional = 1.500 − 40 = 1.460 h
  • MTBF = 1.460 ÷ 5 = 292 h
  • MTTR = 40 ÷ 5 = 8 h
  • Disponibilidade = 292 ÷ (292 + 8) = 97,3%

Como interpretar: se o MTBF sobe trimestre a trimestre, a preventiva está evitando falhas. Se o MTTR sobe, o problema costuma estar na espera por peças ou técnicos, não no reparo em si. Conte só as falhas não programadas; as paradas do plano não são falhas.

Custo de manutenção por equipamento

Custo de manutenção = peças + mão de obra (horas × tarifa) + serviços externos

E para comparar equipamentos que trabalham de forma diferente:

Custo por hora de operação = custo de manutenção ÷ horas operadas

Suponha três equipamentos no mesmo semestre:

Equipamento Peças Mão de obra Externos Total Horas operadas Bs por hora
Pá carregadeira 18.000 4.000 2.000 24.000 1.200 20
Caminhão 1 9.000 3.000 0 12.000 1.500 8
Caminhão 2 21.000 5.000 4.000 30.000 1.000 30

Os dois caminhões são do mesmo modelo, mas o segundo custa quase quatro vezes mais por hora. É a pergunta a fazer: tem uma falha repetida, um operador diferente, uma rota mais dura ou já está no fim da vida útil? Esse número, junto com o valor contábil do equipamento, é a base para decidir entre continuar consertando ou substituir.

Para o cálculo servir, cada peça que sai do almoxarifado deve ser lançada a um equipamento específico, não a “manutenção geral”.

Corretiva vs. preventiva

% preventiva = horas de manutenção preventiva ÷ horas totais de manutenção × 100

Cumprimento da preventiva = tarefas feitas dentro da tolerância ÷ tarefas que venciam no período × 100

Se a maior parte das horas da oficina vai para corretivas, a equipe está apagando incêndios. Se o cumprimento é baixo, o plano só existe no papel. Os dois se olham juntos: cumprimento alto com muitas falhas indica que as tarefas ou os intervalos não são os certos.

Para atacar as falhas que se repetem, registre em cada corretiva o modo de falha (o que aconteceu), a causa e a ação. Ordenadas da mais para a menos frequente, poucas causas costumam explicar a maioria das paradas.

Erros comuns

  • Programar tudo por calendário porque é mais fácil de lembrar.
  • Calcular o próximo vencimento a partir da data em que a tarefa foi feita.
  • Aceitar leituras que retrocedem sem investigar.
  • Tirar peças do almoxarifado sem lançá-las a um equipamento.
  • Contar paradas programadas como falhas e distorcer o MTBF.
  • Não revisar os intervalos com o histórico real.

Checklist

  • Lista de equipamentos com criticidade.
  • Componentes principais de cada equipamento crítico.
  • Tarefas com intervalo, gatilho e tolerância.
  • Kit de peças por tarefa, com estoque disponível.
  • Responsável e frequência de leitura por equipamento.
  • Regra para trocas de horímetro.
  • Cada corretiva com modo, causa e ação.
  • MTBF, MTTR, cumprimento e custo por hora revisados a cada trimestre.

Se quiser automatizar

Uma planilha funciona enquanto alguém a mantém em dia. Quando a frota cresce, um ERP como o MKA pode levar planos por calendário, por horímetro ou ambos, rejeitar leituras que retrocedem, baixar do almoxarifado as peças de cada ordem e mostrar a confiabilidade e o custo de cada equipamento nos seus relatórios (ver frota e maquinário).

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