Contingência SIAT: como se preparar antes que a internet caia
O que é um evento significativo, como identificar a causa da queda, o que fazer no caixa durante a queda e o que revisar quando a conexão volta.
É sexta à noite, a loja está cheia e a internet cai. Em muitos negócios bolivianos essa cena termina com uma fila parada e um caixa que não sabe se pode continuar faturando. Não precisa ser assim: a contingência se prepara antes, não durante a queda.
On-line não significa “sempre conectado”
Na modalidade de faturamento on-line do SIAT, cada fatura eletrônica é enviada ao Servicio de Impuestos Nacionales (SIN) para validação. Mas a norma prevê que a conexão pode falhar, seja do seu lado ou do lado do SIN. É para isso que existe a contingência.
As três peças que você precisa entender
- Evento significativo. É o registro formal de que houve um problema: queda de internet, falha do serviço do SIN ou queda de energia, entre outros. É declarado com seu início e seu fim.
- Emissão off-line. Durante o evento você continua emitindo faturas com seu CUF e seu QR code, assinadas e prontas. Só que elas ainda não chegaram ao SIN.
- Pacotes. Quando a conexão volta, as faturas emitidas durante o evento são agrupadas em pacotes e enviadas para validação.
Os tipos de evento, os prazos para declará-los e enviar os pacotes e as condições de cada caso são definidos pela normativa vigente do SIN. Confira com seu contador ou na norma publicada, porque mudam e não convém trabalhar de memória.
Primeiro, saber o que caiu
Nem toda queda é igual, e o tipo de evento registrado depende da causa. Antes de declarar qualquer coisa, alguém precisa diagnosticar em poucos minutos:
| Sintoma | Causa provável | Como verificar |
|---|---|---|
| Nenhuma página abre na loja | Sua internet | Teste outro site e outro equipamento; verifique o roteador ou ligue para o provedor |
| A internet funciona, mas o SIN não responde | Serviço do SIN | Veja se outros serviços abrem normalmente; consulte os canais oficiais do SIN |
| O caixa ou o roteador desligaram | Energia | Verifique se há backup (nobreak, gerador) e quanto tempo ele aguenta |
| Só um caixa falha | Equipamento ou rede local | Compare com os outros caixas da mesma filial |
Se a falha é de um caixa só, talvez nem precise de contingência: basta passar as vendas para outro caixa enquanto ele é consertado.
O plano de contingência da loja
Um plano serve se responde a quatro perguntas antes da queda:
- Quem decide. Uma pessoa por turno (gerente ou supervisor) autoriza entrar em contingência. O caixa não deve decidir sozinho.
- Quando decidir. Defina quanto tempo você espera antes de ativar a contingência; esperar demais é o que forma a fila.
- O que dizer ao cliente. Uma mensagem curta e igual para todos: “Estamos sem conexão; sua fatura é emitida normalmente e será enviada ao SIN quando a rede voltar”. Nada de improvisar.
- O que entregar. A fatura emitida em contingência, com seu QR code. Se o cliente quiser conferir depois, explique que ele poderá verificá-la quando o pacote for validado.
Escreva o plano em uma única página e deixe-o ao lado de cada caixa.
Checklist de preparação
- Equipamentos: caixas e impressoras que possam continuar emitindo sem conexão; um equipamento reserva testado.
- Conectividade reserva: um segundo provedor ou um plano de dados móveis para o caixa principal.
- Energia: nobreak para o caixa, a impressora e o roteador, com autonomia conhecida.
- Códigos vigentes: CUIS e CUFD em dia no início de cada turno, para não somar um vencimento a uma queda. Pergunte ao seu contador qual procedimento se aplica se um código vencer no meio de um evento.
- Insumos: papel térmico suficiente e o procedimento de reserva que seu contador tenha indicado caso o caixa pare de funcionar completamente.
- Equipe treinada: cada operador de caixa fez pelo menos um treino simulado de contingência.
- Contatos à mão: provedor de internet, suporte do sistema e contador.
Exemplo: uma queda de 2 horas
Suponha uma loja que vende em média 30 tickets por hora, com ticket médio de Bs 50. A internet cai às 19:00 e volta às 21:00.
| Hora | O que acontece | O que se faz |
|---|---|---|
| 19:00 | A internet cai | O caixa avisa o gerente |
| 19:05 | Diagnóstico | Confirma-se que é o provedor de internet, não o SIN |
| 19:10 | Decisão | O gerente ativa a contingência; o evento é registrado com a hora real da queda |
| 19:10–21:00 | Vendas off-line | Cerca de 55 vendas, aproximadamente Bs 2.750, com fatura e QR entregues |
| 21:00 | A conexão volta | O evento é encerrado com sua hora de fim |
| 21:00–21:30 | Regularização | Os pacotes são enviados e a resposta do SIN é revisada |
| Dia seguinte | Controle | As vendas do turno são conciliadas com o que foi validado |
Sem plano, esses 10 minutos de dúvida viram uma hora de fila. Com plano, a queda é quase invisível para o cliente.
Quando a conexão volta
A rede voltar não significa que tudo está resolvido. Revise nesta ordem:
- Encerramento do evento. O evento significativo tem sua hora de fim registrada.
- Envio completo. Todas as faturas emitidas em contingência estão em algum pacote enviado. Compare o número de vendas do sistema de caixa com o número de faturas enviadas.
- Resposta do SIN. Cada pacote foi validado. Se alguma fatura voltar observada ou rejeitada, identifique o motivo e corrija-a com seu contador segundo o procedimento vigente.
- Conciliação. O total vendido no caixa coincide com o total faturado e validado do turno.
Indicadores para medir sua contingência
- Vendas em contingência (%) = faturas emitidas em contingência / total de faturas do período × 100. Se sobe mês a mês, o problema é sua conectividade, não o caixa.
- Tempo até regularizar = hora de validação do último pacote − hora de fim do evento. Quanto menor, menor o risco de esquecimentos.
- Faturas observadas (%) = faturas observadas ou rejeitadas / faturas enviadas em contingência × 100. Deveria tender a zero; se não, há um erro repetido de dados ou de processo.
- Tempo até ativar = hora de ativação − hora da queda. Mede quão bem seu plano funciona.
Erros comuns
- Parar de vender “até a internet voltar” em vez de ativar a contingência.
- Não registrar o início ou o fim do evento, ou registrá-los com horários aproximados.
- Esquecer de enviar os pacotes porque “o sistema já voltou”.
- Declarar como falha do SIN o que foi um problema no roteador da loja.
- Começar o turno com o CUFD prestes a vencer.
- Só revisar as faturas observadas quando o contador as encontra no fechamento do mês.
Se você quiser automatizar
Com um bom plano e uma planilha de controle você consegue lidar com a contingência, mas o ideal é que o caixa não precise pensar nisso: que a venda saia em contingência, que o evento fique registrado e que os pacotes sejam enviados sozinhos quando a conexão voltar. Um ERP como o MKA pode fazer isso a partir do caixa e avisar você antes que o CUFD ou o CUIS vençam; é assim que funciona o seu PDV.