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Segmentos29 de setembro de 2026· 6 min

Como controlar o custo de uma obra, item por item

Orçamento por itens, custo real por centro de custo, avanço físico versus financeiro, medições e fluxo de caixa, com um exemplo resolvido.

É o quarto mês de obra. O residente informa que a estrutura está “mais ou menos na metade”, a contabilidade diz que já se gastou mais do que o previsto para esta etapa e a última medição continua em análise pela fiscalização. Ninguém está mentindo, mas cada um mede uma coisa diferente. E a pergunta que importa, se a obra ainda dá margem, só tem resposta no encerramento, quando já não dá para corrigir nada.

Este guia explica como organizar o controle de custo de uma obra com cinco peças: orçamento por itens, custo real por centro de custo, avanço físico versus financeiro, medições e fluxo de caixa. Tudo pode ser feito em uma planilha.

1. O orçamento por itens é a sua linha de base

O orçamento de custo (não o preço de venda do contrato) é montado por itens de serviço: movimento de terra, estrutura, alvenaria, instalações, acabamentos. Cada item tem quantidade, unidade e custo unitário.

Duas regras:

  1. Congele uma linha de base ao assinar o contrato. Se depois houver alterações aprovadas, registre uma nova versão, mas não sobrescreva a original: sem ela você não consegue medir desvios.
  2. Use a mesma estrutura de itens para orçar, para lançar custos e para medir avanço. Se o orçamento diz “estrutura” e as compras são lançadas como “materiais diversos”, você nunca poderá comparar.

2. O custo real vai por centro de custo, não por conta

Cada obra deve ser um centro de custo próprio e, dentro dela, cada gasto deve levar seu item. Isso inclui materiais, subempreitadas, mão de obra, aluguel e manutenção de equipamentos e o caixa pequeno da obra.

Um detalhe que costuma ser esquecido: o custo comprometido. Um pedido de compra emitido, mas ainda não faturado, já é custo da obra. Se você só olha o que foi faturado, descobre tarde.

3. Avanço físico versus avanço financeiro

  • Avanço físico: quanto da obra está realmente executado. Calcula-se por item (quantidade executada ÷ quantidade total) e pondera-se pelo orçamento de cada item.
  • Avanço financeiro: quanto você já mediu para o cliente (ou quanto gastou, conforme o que quiser comparar).

O erro clássico é medir o avanço pelo dinheiro gasto: ter gasto 45% do orçamento não significa ter 45% da obra pronta. Para cruzar os dois, usa-se o valor agregado:

  • Valor agregado (EV) = orçamento de cada item × seu avanço físico.
  • Valor planejado (PV) = o que, segundo o cronograma, deveria estar executado até a data.
  • Custo real (AC) = o que foi gasto e comprometido até a data.
  • CPI = EV ÷ AC. Abaixo de 1: cada boliviano gasto produz menos obra do que o previsto.
  • SPI = EV ÷ PV. Abaixo de 1: você está atrasado.
  • Estimativa no término (EAC) = orçamento total ÷ CPI, se o desempenho se mantiver.

O cronograma que fornece o valor planejado deve ser montado com seu caminho crítico; para revisar o conceito, veja o caminho crítico explicado em cinco minutos.

4. Exemplo resolvido

Suponha um contrato de Bs 2.000.000 com orçamento de custo de Bs 1.700.000 (margem prevista de Bs 300.000). No fechamento do mês 4:

Item Orçamento Avanço físico Valor agregado Custo real Desvio
Movimento de terra 150.000 100% 150.000 160.000 −10.000
Estrutura 700.000 60% 420.000 470.000 −50.000
Alvenaria 350.000 20% 70.000 80.000 −10.000
Instalações 300.000 10% 30.000 35.000 −5.000
Acabamentos 200.000 5% 10.000 15.000 −5.000
Total 1.700.000 40% 680.000 760.000 −80.000

Segundo o cronograma, nesta data você deveria ter Bs 765.000 de obra executada (45%).

  • CPI = 680.000 ÷ 760.000 = 0,89
  • SPI = 680.000 ÷ 765.000 = 0,89
  • EAC = 1.700.000 ÷ 0,89 ≈ Bs 1.900.000

Se nada mudar, a margem cai de Bs 300.000 para cerca de Bs 100.000. A tabela também mostra onde agir: a estrutura explica mais da metade do desvio.

5. Medições: do quantitativo aprovado ao certificado

A medição (na Bolívia, a valorización) transforma avanço em dinheiro. O circuito saudável é:

  1. O residente registra os quantitativos executados por item no período.
  2. A fiscalização os aprova ou rejeita. Só o aprovado entra na medição.
  3. Medição bruta = Σ (quantitativo aprovado × preço unitário do contrato).
  4. Aplicam-se as deduções pactuadas: amortização do adiantamento, retenções de garantia e eventuais multas. Os percentuais e condições são definidos pelo seu contrato; revise-os com seu assessor jurídico ou contador.
  5. O certificado com o valor líquido é assinado, faturado e recebido.

Seguindo o exemplo, suponha que você mediu Bs 700.000 acumulados (35% do contrato) enquanto seu avanço físico equivale a 40%. Há cerca de Bs 100.000 de obra executada que você ainda não faturou nem recebeu. Essa diferença entre avanço físico e financeiro é dinheiro que você mesmo está financiando.

6. Fluxo de caixa da obra

Seguindo o exemplo: você gastou Bs 760.000 e, dos Bs 700.000 medidos, suponha que recebeu Bs 560.000 (o restante está em trâmite ou retido conforme o contrato). A obra tem saldo de caixa negativo de Bs 200.000.

Projete o caixa da obra mês a mês com três linhas:

Linha Fonte
Recebimentos esperados Medições previstas, menos deduções do contrato, na data em que o cliente costuma pagar de fato
Pagamentos esperados Compras comprometidas, subempreitadas, folha da obra e equipamentos
Retenções a liberar Valores retidos e a condição contratual para sua devolução

Se o saldo acumulado mais negativo superar sua linha de crédito ou seu caixa disponível, você sabe antes que aconteça.

Sinais de alerta

  • CPI abaixo de 1 em dois ou três cortes seguidos.
  • Avanço financeiro muito atrás do físico: obra executada sem medir.
  • Quantitativos aguardando aprovação por mais dias do que você define como normal.
  • Um item com custo real alto e avanço físico baixo.
  • Caixa pequeno da obra entregue e sem prestação de contas.
  • Garantias do contrato perto do vencimento sem renovação em andamento.

Erros comuns

  • Medir avanço pelo gasto em vez da quantidade executada.
  • Misturar obras no mesmo centro de custo ou lançar gastos sem item.
  • Ignorar o comprometido e olhar só as notas recebidas.
  • Sobrescrever a linha de base sempre que o orçamento muda.
  • Medir sem quantitativo aprovado, o que termina em glosas e recebimento atrasado.
  • Esquecer as retenções ao projetar o caixa.

Checklist do fechamento mensal

  1. Quantitativos do período registrados e aprovados pela fiscalização.
  2. Custos do mês lançados por item, incluindo o caixa pequeno prestado.
  3. Pedidos de compra abertos somados como comprometido.
  4. EV, PV, AC, CPI, SPI e EAC recalculados.
  5. Medição emitida e diferença físico-financeira revisada.
  6. Fluxo de caixa da obra atualizado e garantias revisadas.

Levar para um sistema

Com uma ou duas obras, essa disciplina funciona em planilha. Quando você toca várias ao mesmo tempo, um ERP como o MKA pode levar os quantitativos aprovados pela fiscalização até a medição com seus status e mostrar orçamento versus realizado e valor agregado por centro de custo (ver a solução para construtoras).

Veja o MKA com os dados do seu setor.

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