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Estoque12 de setembro de 2026· 6 min

FEFO vs FIFO: como expedir pela validade sem confusão

Se você vende alimentos, produtos farmacêuticos ou cosméticos, expedir o que entrou primeiro não basta. Explicamos o FEFO, os dados necessários, como organizar o depósito e como medir se funciona.

Todos aprendemos FIFO: o primeiro que entra é o primeiro que sai. Funciona bem até que um fornecedor entrega um lote com validade mais curta do que o que você já tinha na prateleira. A equipe expede “o que está na frente”, o lote novo sai primeiro e, um mês depois, aparece no fundo do corredor uma caixa vencida que ninguém viu.

FIFO, FEFO e LIFO: três formas de tirar mercadoria

  • FIFO (First In, First Out): sai primeiro o que entrou primeiro. Serve para produtos sem validade que mesmo assim envelhecem ou mudam de versão, como roupas de coleção ou peças de reposição.
  • FEFO (First Expired, First Out): sai primeiro o que vence primeiro, não importa quando entrou. É a regra para alimentos, farmácia, cosméticos, químicos e tudo o que tem data de validade.
  • LIFO (Last In, First Out): sai primeiro o último que entrou. Só faz sentido físico em materiais a granel que não se deterioram e são empilhados, como areia ou brita, onde só a camada de cima é acessível.

Muitas vezes FEFO e FIFO coincidem. O problema está nos casos em que não coincidem: fornecedores diferentes, importações com trânsito longo ou devoluções de clientes que voltam ao estoque.

Não confunda expedição com valoração

FIFO também é um método de valoração contábil (PEPS), assim como o custo médio ponderado. São coisas diferentes:

  • O método de expedição decide qual caixa física sai da prateleira.
  • O método de valoração decide a que custo essa saída é registrada no kardex e na contabilidade.

Você pode expedir com FEFO e valorar a custo médio sem nenhuma contradição. Qual método de valoração se aplica à sua empresa é definido pelo seu contador; este artigo trata só da expedição física.

Que dados você precisa

  1. Lote por produto, registrado no recebimento, não depois.
  2. Data de validade por lote, em um formato único (dia/mês/ano). Se o fornecedor só indica o mês, defina uma regra, por exemplo “último dia do mês”.
  3. Localização: depósito, corredor, prateleira e nível onde está cada lote.
  4. Quantidade por lote e localização que some exatamente o saldo total do produto. Se o saldo diz 500 e os lotes somam 480, a rastreabilidade já está quebrada.

Como organizar o depósito

  1. Receba com lote. Nenhum recebimento é fechado sem lote e validade nos produtos que exigem.
  2. Etiquete cada palete ou caixa com lote e validade em letra grande, visível do corredor.
  3. Separe os lotes em localizações diferentes. Misturar dois lotes no mesmo espaço é a causa mais comum de expedições erradas.
  4. Coloque o que vence primeiro na posição de picking, a mais acessível, e o resto na reserva.
  5. Expeça o lote indicado, não “o que está mais à mão”. A lista de separação deve trazer lote e localização.

Vida útil mínima: no recebimento e na expedição

FEFO não basta se você recebe produto que já chega quase vencido. Defina duas regras como política interna. Suponha estes números hipotéticos:

Momento Regra de exemplo Para que serve
Recebimento Aceitar só se restar pelo menos 2/3 da vida útil total Evitar que o fornecedor transfira o risco para você
Expedição para atacadista Pelo menos 30 dias de vida restante O cliente também precisa de tempo para vender
Expedição para loja própria Pelo menos 5 dias de vida restante Canal de alto giro que absorve lotes curtos

Os números dependem do seu ramo e do que você combinar com cada cliente; o importante é que estejam escritos e que todos os apliquem igual.

Exemplo: três lotes e um pedido

Suponha que hoje é 1º de outubro e você tem iogurte com custo de Bs 10 por unidade:

Lote Entrada Validade Quantidade
A 5 set 20 nov 200
B 15 set 15 dez 300
C 25 set 25 out 150

O lote C entrou por último, mas vence primeiro. Chega um pedido de 250 unidades e, depois, a demanda normal é de 8 unidades por dia.

Com FIFO saem A (200) e B (50). Ficam B (250, vence em dezembro) e C (150, vence em 25 de outubro). Como o FIFO continua tirando de B, nos 24 dias até 25 de outubro são vendidas 192 unidades de B e o lote C inteiro vence: 150 unidades, Bs 1.500 de perda.

Com FEFO saem C (150) e A (100). Ficam A (100) e B (300). A acaba em uns 13 dias e B em uns 38 a mais, bem antes de dezembro: perda zero.

Agora suponha que esse pedido é de um atacadista que exige 30 dias de vida. C, com 24 dias, não pode ir para ele. O FEFO com filtro expede A (200) e B (50), e C é destinado às lojas próprias, que o consomem em uns 19 dias, dentro da regra de 5 dias. A regra completa é: sai o lote que vence primeiro entre os que cumprem a vida mínima do cliente.

Relatório de próximos a vencer

Revise-o toda semana. Colunas mínimas: produto, lote, localização, quantidade, dias até o vencimento e cobertura (quantidade ÷ demanda diária). Se a cobertura passa dos dias até o vencimento, esse lote não vai ser vendido a tempo.

O que fazer em cada faixa:

  • 60 a 90 dias: marcá-lo como prioritário na separação e nas vendas.
  • 30 a 60 dias: transferi-lo para a filial de maior giro, montar uma promoção ou negociar uma troca com o fornecedor se o contrato permitir.
  • Menos de 30 dias: liquidar, vender em canais que aceitem vida curta ou dar baixa com termo. O tratamento de baixas e doações, valide com seu contador.

Indicadores

  • Perda por vencimento (%) = valor baixado por vencimento ÷ custo das vendas do período × 100. Deve cair mês a mês; se sobe, revise recebimento e compras.
  • Dias de estoque = estoque médio ÷ custo das vendas diário. Se se aproxima da vida útil do produto, você está comprando demais.
  • % de expedições FEFO corretas = linhas expedidas com o lote correto ÷ total de linhas × 100. Abaixo de 95 %, há um problema de etiquetagem, localização ou disciplina.

Erros comuns

  • Registrar o lote “depois”, quando já está na prateleira.
  • Misturar lotes na mesma localização.
  • Deixar o saldo por lote ficar negativo “para não travar a venda”.
  • Reintegrar devoluções de clientes sem o lote original.
  • Aplicar FEFO sem vida útil mínima por cliente e receber recusas.
  • Olhar o relatório de próximos a vencer quando já não há tempo de agir.

Checklist

  • Produtos com validade identificados e marcados para controle por lote.
  • Nenhum recebimento é fechado sem lote e data.
  • Etiquetas visíveis e um lote por localização.
  • Vida útil mínima escrita para recebimento e por tipo de cliente.
  • Lista de separação com lote e localização.
  • Relatório de próximos a vencer revisado toda semana, com um responsável.
  • Os três indicadores medidos todo mês.

Levar isso a um sistema

Convém ativar o controle de lotes só onde for necessário, por exemplo começando pelos perecíveis. Um ERP como o MKA permite ativá-lo por empresa, produto ou depósito, não deixa um item rastreado ficar negativo e, em cada saída, sugere o lote que vence primeiro; você pode ver isso na demo de lotes e localizações.

Veja o MKA com os dados do seu setor.

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