Pular para o conteúdo
Blog
Segmentos16 de outubro de 2026· 6 min

Como calcular o custo de importação posto no armazém

O que entra no custo posto no armazém, por que o IVA da DIM não é custo, como ratear as despesas e como passar do custo provisório à liquidação final.

O contêiner chegou há três semanas e você já vendeu parte da mercadoria. Hoje chega a fatura do despachante e, com ela, a pergunta incômoda: quanto custou de verdade cada produto? Se o preço de venda foi definido sobre a fatura do fornecedor mais uma “porcentagem de despesas” no olho, a margem que você acha que tem pode não existir.

O custo posto no armazém (landed cost) é a soma de tudo o que você teve de pagar para que a mercadoria esteja no seu armazém e pronta para vender. Calculá-lo bem não exige um sistema: exige um método.

O que entra no custo posto

Componente Entra no custo? Comentário
Valor da fatura (FOB ou outro Incoterm) Sim É a base de tudo. Confira o que inclui segundo o Incoterm acordado.
Frete internacional Sim Se o Incoterm não o inclui.
Seguro Sim Igual ao frete.
Imposto de importação (GA) Sim Vem da DIM, por posição tarifária. Não é recuperável.
Despachante aduaneiro Sim Honorários e despesas de desembaraço.
Transporte interno até o seu armazém Sim Da aduana ou fronteira até o seu depósito.
IVA da DIM Não É crédito fiscal, não custo (veja abaixo).
Tarifas bancárias da remessa Em geral, não Costumam ser tratadas como despesa financeira.
Armazenagem após o recebimento Não É despesa do período, não mais custo de aquisição.

As tarifas por posição estão explicadas no nosso guia da Tarifa Aduaneira 2026.

Por que o IVA da DIM não é custo

Ao nacionalizar a mercadoria, a DIM (declaração de importação boliviana) liquida o imposto de importação e o IVA de importação. Os dois são pagos, mas não são tratados da mesma forma:

  • O imposto de importação é um custo definitivo: você não o recupera, então faz parte do custo do produto.
  • O IVA de importação, se a sua empresa é contribuinte do IVA, é registrado no livro de compras e usado como crédito fiscal contra o IVA das suas vendas. Se você o soma ao custo, conta duas vezes: uma ao recuperá-lo e outra ao levá-lo ao custo das vendas.

Valide com o seu contador o tratamento do seu caso, principalmente se você tem operações isentas ou não é contribuinte do IVA.

Bases de rateio: qual usar e quando

Quase todas as despesas são do embarque inteiro e precisam ser divididas entre os produtos. A regra de fundo: ratei cada despesa conforme o que a causou.

Base Use para Fórmula por produto
Valor (FOB) Seguro, honorários do despachante, despesas que dependem do valor Despesa × (FOB do produto ÷ FOB total)
Peso Frete aéreo ou rodoviário, transporte interno por tonelada Despesa × (kg do produto ÷ kg total)
Volume Frete marítimo consolidado (LCL), armazenagem por m³ Despesa × (m³ do produto ÷ m³ total)
Posição tarifária Imposto de importação O valor que a DIM liquida para a posição desse produto

Ratear tudo por valor é o mais comum e o mais enganoso: um produto barato e pesado acaba subsidiado por um caro e leve.

A taxa de câmbio de cada documento

Cada documento em moeda estrangeira é registrado à taxa de câmbio da sua data: a fatura comercial à da fatura (ou à do recebimento, conforme a sua política), o frete à da sua fatura, a DIM à que consta nela. O importante é que cada linha do cálculo diga de qual documento e de qual data vem a sua taxa.

O que você paga a mais ou a menos pela variação do câmbio entre a fatura e o pagamento (por exemplo, um adiantamento pago semanas antes) costuma não ir ao custo do produto, e sim para variação cambial. Defina a política com o seu contador e aplique sempre igual.

Exemplo resolvido

Suponha um embarque com três produtos, tudo em USD para simplificar:

Produto Unidades FOB (USD) Peso (kg)
A 1.000 10.000 2.000
B 500 6.000 3.000
C 200 4.000 1.000
Total 20.000 6.000

Despesas: frete internacional USD 1.800 (por peso), seguro USD 200 (por valor), despachante USD 400 (por valor), transporte interno USD 600 (por peso). A DIM liquida imposto de importação de USD 1.000 para A, USD 300 para B e USD 400 para C, mais um IVA que não entra no cálculo.

Produto FOB Frete Seguro GA Despachante Transp. Total Custo unitário
A 10.000 600 100 1.000 200 200 12.100 12,10
B 6.000 900 60 300 120 300 7.680 15,36
C 4.000 300 40 400 80 100 4.920 24,60

Conferência: 20.000 + 1.800 + 200 + 1.700 + 400 + 600 = 24.700, igual à soma dos totais. Se não bater, há um erro de arredondamento ou uma despesa mal rateada; atribua a diferença de arredondamento a uma única linha (por exemplo, a de maior peso) para fechar exato.

Se você tivesse rateado o frete por valor, B teria recebido USD 540 em vez de 900, e o seu custo unitário seria 14,64 em vez de 15,36: quase 5% a menos. Um preço definido com esse número tem uma margem que não existe.

Custo provisório e liquidação final

A mercadoria é vendida antes de chegar a última fatura. Por isso convém trabalhar em dois tempos:

  1. No recebimento, valorize com um custo provisório: FOB × taxa de câmbio × um fator estimado (por exemplo, 1,20 se os seus embarques anteriores somaram cerca de 20% em despesas).
  2. Registre cada despesa primeiro com o valor estimado e substitua-o pelo real quando a fatura chegar. Anote o desvio.
  3. Liquide quando todas as despesas e a DIM estiverem lançadas: calcule o custo final por produto.
  4. Distribua a diferença entre o que ainda está em estoque e o que já foi vendido.

Seguindo o exemplo: A entrou a 12,00 provisório e o custo final é 12,10. Se você já vendeu 400 unidades, a diferença de 0,10 × 400 = USD 40 vai para o custo das vendas, e 0,10 × 600 = USD 60 ajusta o estoque restante. Não é preciso refazer as vendas.

Erros comuns

  • Somar o IVA da DIM ao custo do produto.
  • Ratear todas as despesas por valor, inclusive o frete.
  • Usar uma única taxa de câmbio “do dia em que fiz a planilha” para tudo.
  • Não fechar a liquidação: o custo provisório fica para sempre.
  • Esquecer o transporte interno ou as despesas que chegam tarde.
  • Colocar a armazenagem posterior ao recebimento no custo do produto.

Checklist por embarque

  • Fatura comercial com Incoterm claro e sua taxa de câmbio.
  • Peso e volume por produto (do packing list).
  • Cada despesa com a sua base de rateio definida.
  • DIM com imposto por posição; IVA separado como crédito fiscal.
  • Soma dos custos atribuídos igual à soma das despesas.
  • Liquidação fechada e diferença distribuída entre estoque e custo das vendas.

Se quiser automatizar

Esse método funciona numa planilha bem montada. Quando os embarques se multiplicam, um ERP como o MKA pode manter cada embarque numa pasta de importação, ratear cada despesa pela base que você escolher, deixar o IVA da DIM como crédito fiscal e distribuir a diferença da liquidação entre o estoque e o custo das vendas (ver o módulo de importações).

Veja o MKA com os dados do seu setor.

Em 30 minutos mostramos o seu fluxo real: da venda à fatura, do estoque ao lançamento contábil.