Checklist mensal para empresas com fatura eletrônica
O que revisar todo mês se você fatura on-line: conciliação com o SIN, cancelamentos e notas, preparo para a contingência, validade dos códigos, livros antes de declarar e quem faz o quê.
Faltam dois dias para declarar e o livro de vendas tem cinco faturas a menos que o sistema do caixa. Ninguém sabe se são rejeições, faturas de contingência que nunca foram enviadas ou cancelamentos mal registrados. O contador decide “ajustar” e declara com uma diferença sem explicação.
Esse problema quase nunca nasce no dia da declaração. Nasce durante o mês, em controles que ninguém fez. O faturamento eletrônico on-line automatiza a emissão, mas não substitui o controle: o que muda é que agora o controle pode ser feito com dados, não com talões.
Esta é uma rotina mensal que você pode aplicar com planilhas ou com o sistema que usar. Prazos e parâmetros legais são definidos pela norma vigente: valide-os com o seu contador.
1. Concilie faturas emitidas contra registradas
O objetivo é que três fontes digam o mesmo: o seu sistema de faturamento, o registro do SIN (a autoridade tributária boliviana) e a sua contabilidade.
- Exporte do sistema todas as faturas do mês com o CUF e o status.
- Compare com o status que o SIN informa para esses CUF.
- Compare o total do livro de vendas com as vendas lançadas na contabilidade.
- Explique cada diferença, uma a uma, antes de fechar.
Suponha que o seu sistema mostre 2.000 faturas emitidas e o SIN tenha 1.995 validadas. A conciliação deveria terminar assim:
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Emitidas no sistema | 2.000 |
| Validadas pelo SIN | 1.995 |
| Diferença a explicar | 5 |
| Em pacote de contingência pendente de envio | 3 |
| Rejeitadas, pendentes de correção | 2 |
| Diferença sem explicação | 0 |
Se a última linha não for zero, não declare até saber por quê. Confira também o caso inverso: uma fatura que o SIN tem e o seu sistema não (por exemplo, uma duplicada por uma nova tentativa de envio). Essas são as mais perigosas, porque ninguém está olhando para elas.
2. Revise cancelamentos e notas de crédito-débito
Cancelamentos e notas são legítimos, mas também são o caminho mais fácil para erros e abusos.
- Todo cancelamento tem motivo e respaldo. Quem pediu, quem autorizou e por quê.
- Notas de crédito-débito só sobre faturas válidas. Uma nota sobre uma fatura rejeitada ou cancelada não tem sustentação.
- O cancelado sai do livro. Verifique se uma fatura cancelada não continua somando no livro de vendas, nem no mês original nem no atual.
- Procure padrões. Muitos cancelamentos do mesmo caixa, do mesmo usuário ou logo depois do fechamento merecem uma pergunta.
Um indicador útil: taxa de cancelamento = faturas canceladas ÷ faturas emitidas × 100. Se no exemplo acima foram canceladas 40 de 2.000, a taxa é 2%. O que importa não é o número absoluto, e sim a sua evolução por filial e por usuário.
3. Prepare a operação para a contingência
A contingência (quando não há conexão com o SIN ou o serviço falha) se resolve em minutos só se foi preparada antes. Uma vez por mês, confira:
- Cada filial sabe quem declara a contingência e como.
- O procedimento escrito está à vista dos caixas, não perdido num e-mail.
- O talão ou meio alternativo está disponível e controlado.
- Não ficaram pacotes de faturas de contingências anteriores sem enviar.
- Os eventos significativos do mês estão registrados e encerrados.
- As faturas manuais do mês, se houve, já foram transcritas.
Se quiser entender o que acontece passo a passo quando a conexão cai, explicamos em Contingência SIAT: o que acontece quando a internet cai no seu caixa.
4. Controle a validade dos códigos
A fatura on-line depende de códigos e credenciais que vencem: o CUIS de cada ponto de venda, o CUFD diário, o certificado de assinatura digital e o token de acesso ao serviço. Quando um vence, o caixa para de faturar.
Monte uma tabela simples e revise todo mês:
| Elemento | Onde é usado | Vence em | Responsável | Próxima revisão |
|---|---|---|---|---|
| CUIS | Cada ponto de venda | |||
| CUFD | Cada ponto de venda, todo dia | |||
| Certificado de assinatura | Toda a empresa | |||
| Token do serviço | Toda a empresa | |||
| Catálogos SIAT | Emissão | (sincronização) |
O certificado e o token são os que mais surpreendem, porque vencem com pouca frequência e ninguém lembra o trâmite. Coloque a data na agenda do responsável com antecedência suficiente para renová-los.
5. Revise os livros de vendas e compras antes de declarar
Livro de vendas:
- O total coincide com a conciliação do passo 1.
- Não há faturas canceladas somando.
- As notas de crédito-débito do mês estão refletidas.
- As faturas de contingência entraram no período correto.
Livro de compras:
- Cada fatura de fornecedor é válida e está em nome da sua empresa.
- Não há duplicados (mesmo fornecedor, mesmo número, mesma data).
- As DIM de importação estão registradas com a sua base.
- O crédito fiscal do livro coincide com o registrado na contabilidade.
Diferença livro-contabilidade = crédito fiscal segundo o livro − crédito fiscal segundo a contabilidade. Deve ser zero ou estar explicada, item por item.
6. Defina papéis e responsáveis
O controle falha quando “todos” são responsáveis. Uma divisão mínima:
| Tarefa | Responsável | Revisa |
|---|---|---|
| Emissão diária e contingência na filial | Encarregado do caixa ou da filial | Gerente da filial |
| Acompanhamento de rejeições e pacotes pendentes | Responsável pelo faturamento | Contador |
| Autorização de cancelamentos e notas | Gerente da filial ou administração | Contador |
| Validade de códigos, certificado e token | Responsável de TI ou faturamento | Gerência administrativa |
| Conciliação mensal e livros | Contador | Diretoria |
O essencial: quem emite não deveria ser quem autoriza os próprios cancelamentos.
Indicadores para acompanhar mês a mês
- Validadas no primeiro envio = faturas validadas sem reenvio ÷ faturas emitidas × 100. Se cair, há um problema de dados (NIT, catálogos, produtos).
- Diferença sem explicação na conciliação: deve ser zero.
- Pacotes de contingência pendentes no fechamento: deveriam ser zero.
- Tempo de resolução de rejeições: dias da rejeição até a fatura válida.
- Taxa de cancelamento por filial e por usuário.
Erros comuns
- Conciliar só totais em bolivianos, e não fatura por fatura.
- Deixar as faturas de contingência “para depois”.
- Descobrir o vencimento do certificado quando o caixa já não emite.
- Corrigir diferenças do livro sem documentar a origem.
- Deixar uma única pessoa emitir, cancelar e conciliar.
Levar para um sistema
Essa rotina pode ser feita com planilhas exportadas, embora consuma horas todo mês. Um ERP como o MKA concilia o status de cada fatura com o SIN, avisa antes que vençam o CUIS e o CUFD, gerencia a contingência por filial com envio por pacotes e registra cada fatura validada no livro de vendas (ver Faturamento Eletrônico SIAT).